terça-feira, 29 de dezembro de 2009

As saudades que eu já tinha da minha alegre casinha

É de partir o coração ouvir a L. dizer «Mamã, preciso mesmo da nossa casa de Lisboa». Não fomos visitar a nossa casa, mas foi muito bom ver a alegria dela (e a nossa) ao andar pelas ruas de Lisboa e de Espinho e ao matar saudades da família e dos amigos. Na foto, a brincar na praia da Baía, em Espinho.

I (was) dreaming of a white Christmas


O nosso relvado, 18 de Dezembro. Nunca tinha visto neve.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Vista Alegre


Foi uma agradável surpresa ver que todos os serviços (jantar, chá e café) do restaurante Orangery, no Kensington Palace, são da Vista Alegre.

Christmas menu

Depois de uma visita ao Kensington Palace, um almoço de Natal no histórico restaurante Orangery:

Norfolk Roast Turkey, with all the trimmings, Brussels sprouts, roasted potatoes, sage and onion stuffing, cranberry sauce and sage jus

Cranberry and orange pudding

All served with tea, coffee and mince pies

Mmmmmm...

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Doçarias


Hoje, em passeio no Soho: bolos de feijão, pastéis de nata e bolas de berlim no Berwick Street Market.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

A Christmas Carol

A festa de Natal da escola da L. foi um sucesso. Ela ficou envergonhada e mal cantou em cima do palco, mas, pelo menos, não chorou, não fugiu e não chamou por nós. Para quem estava na plateia, foi uma hora bem passada. Inspirado no «Conto de Natal» de Charles Dickens, o concerto contou com um Scrooge sensacional, meninos e meninas vestidos à época vitoriana, os fantasmas do Michael Jackson, do Freddie Mercury e do Elvis Presley, meninos e meninas vestidos de sacos de moedas e de árvores de Natal, etc. A banda sonora foi das músicas tradicionais de Natal até ao «Should I stay or should I go» dos Clash, passando pelo «Money, money, money» dos ABBA. Os guionistas e coreógrafos estão de parabéns. Quisemos registar o momento para mais tarde recordar, mas a bateria da máquina acabou no preciso momento em que a L. entrou no palco. Hoje trouxemos o DVD do Christmas Carol da escola e já o vimos pelo menos 3 vezes. E ainda não começámos a mostrá-lo à família e aos amigos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Biblioteca

Tenho várias críticas a fazer ao sistema de saúde inglês (lá iremos a seu tempo), mas vou começar por apontar um dos pontos positivos. E muito positivo, a meu ver. Há umas semanas, fui com o D. ao centro de saúde, à consulta dos oito meses. Apesar de os testes que lhe foram realizados deixarem muito a desejar, saímos de lá com um saco com vários panfletos (entre eles um sobre bilinguismo), uma escova de dentes e dois livros. É verdade, o serviço nacional de saúde inglês oferece livros a todos os bebés para incentivar o gosto pela leitura desde cedo. Quis saber se em Portugal se fazia algo semelhante (os meus filhos são seguidos por uma pediatra privada) e fiquei muito contente ao saber que o projecto 'Ler + dá saúde' persegue os mesmos objectivos. A diferença é que, infelizmente, em Portugal, ainda não se oferecem exemplares aos bebés.
Entre outros conselhos, a enfermeira (health visitor) que observou o D. sugeriu que fossemos à biblioteca da zona. Eu disse-lhe que lemos sempre muitos livros em casa, mas mesmo assim ela insistiu. Nunca me tinha passado pela cabeça lá ir com as crianças tão pequeninas - normalmente pede-se silêncio nas bibliotecas. Hoje, quando fui buscar a L. à escola, decidi desafiá-la a ir à biblioteca para ver como era. Passámos pela zona dos adultos, atravessámos uma espécie de porta de circo e encontrámos a recepção da secção infantil da biblioteca. Estacionámos a trotineta no 'estacionamento dos carrinhos de bebé' (sim, há um canto reservado para deixar os carrinhos) e olhámos em volta: vários bebés, alguns bem pequeninos, liam livros ao colo das mães ou das amas, ou brincavam no espaço amplo reservado à leitura. Enquanto inscrevia a L., ela já vasculhava os caixotes de livros para escolher um e brincava com umas bonecas nas cadeirinhas e nos sofás dos pequeninos. Lemos um livro e escolhemos outro para trazer para casa. Fiquei conquistada pela ideia de levar as crianças à biblioteca. Além de ser um óptimo programa para um dia de chuva. Amanhã volto lá com o D.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pernas para que te quero

Ao chegar a Londres, e depois de tratar das questões essenciais, como a inscrição no centro de saúde ou a abertura de uma conta bancária, comecei a procurar outros serviços básicos, como uma esteticista. Quando perguntei quanto me custaria esse grande luxo que é fazer a depilação, disseram-me que seria, no mínimo, 80 libras. Passado o choque inicial, pensei nos benefícios de manter as pernas quentinhas no Inverno. E recebi inclusivamente sugestões para iniciar a moda das trancinhas.
Já estava conformada quando, para sorte minha, descobri no meu bairro, algumas semanas depois, dois cabeleireiros com depilação a 25 libras. Suspirei de alívio. Sempre é mais acessível. Antes de escolher qual será o meu eleito, decidi testar os dois. Já experimentei a esteticista tailandesa e gostei. A leve massagem no final e a musiquinha de elevador oriental são muito relaxantes. Agora falta-me experimentar a outra, que descobri entretanto que é brasileira, tal como a maioria dos empregados daquele cabeleireiro. Enquanto arranjava as mãos, e quebrada a barreira da língua, fiquei a saber que a manicure está quase a separar-se do namorado e vai ficar sozinha em Londres, e que costuma ir ali uma tal prima da rainha. Na televisão passava um desfile do Carnaval do Rio de Janeiro para uma cliente que queria aprender a dançar. Quando me vinha embora, outra cliente, já de cabelos brancos, sambava com estilo no meio do salão. Se aquele cabeleireiro for sempre assim tão animado, acho que já escolhi onde ir.

Royal borough

Andando por Londres e olhando para as tabuletas com o nome das ruas, depressa me saltou à vista o facto de o bairro onde vivemos ser um royal borough (como se pode ver na foto da coluna da direita deste blogue).
Esta semana, ao visitar o Town Hall (qualquer coisa equivalente à junta de freguesia), o Mayor explicou-nos a origem daquela designação. A Rainha Victoria nasceu em 1819 no Kensington Palace, ainda hoje ocupado por membros da família real, e sempre manifestou o desejo de atribuir o estatuto Real ao bairro onde nascera. A Rainha morreu em Janeiro de 1901 sem ver o seu desejo cumprido, mas, em Julho do mesmo ano, o seu filho e sucessor Edward VII (na foto) conferiu o referido estatuto ao bairro, que passou a chamar-se The Royal Borough of Kensington (Chelsea era na altura um bairro à parte). Apenas Kingston upon Thames e Windsor and Maidenhead receberam a mesma distinção em todo o reino.
Ao chegar a casa, descobri que King Edward VII, nada mais nada menos do que Eduardo VII de Inglaterra, teve a honra de ver baptizado com o seu nome o maior parque do centro de Lisboa em 1903, após a sua visita no ano anterior a Lisboa, para reafirmar a aliança entre os dois países. Cento e seis anos depois, somos nós quem presta uma visita (um pouco mais demorada) a Inglaterra, para manter boas relações entre os dois países.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Linguagem das árvores

Num agradável passeio, esta manhã, pelo Holland Park, descubro a linguagem das árvores. Enquanto umas, despidas, anunciam o fim do Outono...

... outras, vigorosas, a(ze)divinham a chegada do Natal.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

It's Christmas time

Não sei se foi essa a intenção, mas tive a sensação de este fim-de-semana ter sido escolhido para declarar oficialmente aberta a época natalícia em Londres. Passada a febre do Halloween e da Bonfire Night, as montras substituem agora as abóboras e as tabuletas a dizer «Vende-se fogo de artifício» por Pais Natais. A  animação começa nas ruas, nos mercados, nos parques e nos museus. Há feiras de Natal, ringues de patinagem no gelo, parques de diversões e luzes de Natal por todo o lado.
Apesar da chuva, quisemos entrar no espírito e fomos ontem visitar a Winter Wonderland, no Hyde Park. Há tendas com artesanato e bugigangas, barraquinhas com comida e doces, renas e bonecos de neve, música ao vivo, um ringue de patinagem no gelo, muitos carrosséis e uma roda gigante. Os olhos do D. e da L. brilhavam, mas quem não tirava o sorriso do rosto era eu. Com a desculpa de acompanhar a L., andei num carrocel à antiga, com os cavalos a subir e a descer, e o T. desceu num escorrega em caracol em cima de um tapete. Cheguei a casa com o cabelo a pingar, mas muito empolgada com a excitação.

Hoje decidimos fazer um programa diferente e ir ao Natural History Museum, mas não escapámos ao espírito natalício. Esperavam-nos à entrada mais um carrossel e um ringue de patinagem (na imagem da direita, a zona azul ao fundo). Ainda não foi desta que me atrevi a patinar no gelo - a pista estava cheia de água da chuva e uma queda ali iria custar-me uma grande molha -, mas lá fui outra vez dar uma voltinha no carrossel. Quando saimos do museu, por volta das 6 da tarde, já era noite cerrada, e a imagem das luzes (nas árvores, no ringue e no carrocel) fez-me sentir uma criança outra vez. Vou já começar a escrever uma carta ao Pai Natal.

sábado, 21 de novembro de 2009

Bravo

Sinto-me como se estivesse de ressaca, depois da noite passada. O D., que já mal acorda durante a noite, resolveu chamar-me várias vezes para comer. Passada a irritação, lembrei-me do Brazelton, meu companheiro de cabeceira. Diz ele que todas as crianças passam pelos chamados pontos de referência: períodos de retrocesso que antecedem ou acompanham períodos de desenvolvimento. Tudo indica que é este o caso. A noite difícil que passou o D. explica-se muito simplesmente pelas novidades e pelos progressos que tem tido recentemente. Para além dos dois dentes que já lhe nasceram, já se senta sem apoio (embora caia frequentemente), vai conseguindo levantar-se e voltar a sentar-se, adora agarrar-se às costas do sofá e tentar pôr-se de pé, se lhe pusermos uma mão a servir de apoio para os pés consegue arrastar-se para chegar aos brinquedos, brinca sozinho durante breves períodos, diverte-se como nunca no banho, levanta a mão como se quisesse dizer adeus. Há pouco, vi-o bater as primeiras palminhas. A alegria foi tanta que cheguei a pensar que não me vou importar se ele me acordar muitas vezes esta noite.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Fato escuro

Três meses depois de aterrarmos em Londres, chega o tão aguardado momento: o primeiro convite. O problema foi que, no espaço de uma semana, chegaram logo o segundo e o terceiro. Um almoço formal, um jantar informal e, agora, um jantar formal. No convite vem a indicação: «fato escuro». Leiga nestas matérias, fui imediatamente em busca do verdadeiro significado do termo. Descobri que corresponde, em inglês, a «informal dinner». Mas, de informal, tem pouco. Os homens devem levar fato escuro, gravata de tecido nobre (seda), mas discreta, e sapatos pretos. As senhoras, vestido, tailleur ou conjunto de duas peças em tecidos nobres, sapatos e carteira de pele com brilho, metalizados, em camurça ou em tecido.
Consultado o guarda-roupa, cheguei à conclusão de que precisava de ir às compras. Parti em busca de um vestido nas lojas da Kensington High Street, mas sem sucesso. Em desespero, decidi ir ao Westfield, «the largest in-town shopping and leisure destination in Europe». Saí de lá com os pés desfeitos, mas com dois vestidos, sóbrios, que me pareceram adequados.
Ao dirigir-me para a saída, comecei a aperceber-me de uma grande fila de pessoas, sobretudo raparigas, vestidas como se fossem para um casamento. Saltos altos, lantejoulas, maquilhagem excessiva. O motivo? A Mariah Carey estava lá para ligar as iluminações de Natal do centro comercial e para dar autógrafos do seu novo álbum.
Comparando a formalidade do meu jantar e daquele evento, passou-me pela cabeça voltar atrás e comprar um dos inúmeros vestidos espampanantes que se vêem nas lojas e que se viam naquela fila. Mas como sou tudo menos fã da Mariah Carey, não me deixei conquistar pelo mau gosto. Corri para apanhar o autocarro 49 e vim para casa ouvir antes o CD Joana Come a Papa, do José Barata Moura, com os meus filhos.

Lesson number two

Uma mudança nunca é fácil, sobretudo para as crianças. A L., depois de uma fase mais conturbada, parece estar finalmente adaptada: ao novo país, à nova casa, à nova escola, à nova língua. Ontem tive uma reunião com a professora dela. Diz ela que a L. é uma criança feliz, muito activa (mas isso já nós sabíamos) e que aprende depressa. Compreende bem o que lhe dizem e já consegue dizer muita coisa em inglês.
Em casa, já começou a misturar as línguas e não raras vezes diz coisas como: «Mamã, quero grapes, please» ou «Mummy, quero milk com chocolate e torradinha com doce de pumpkin». Outras vezes, inventa. Há dias pegou num livro que estávamos a ler e disse: «Agora vou ler o livro em inglês.» «Está bem», respondi. «Blanhubpod ing, blu prixowed ing, nha aquinerut ing, somelidov ing...»
A pronúncia, por seu lado, ainda não está muito bem trabalhada - com raras excepções. É o caso dos números. Se o três sai mal, o quatro sai perfeito: «one, two, sree, fôo...». Mas a mais cómica de todas foi da palavra «ginástica». Esticou o lábio superior para a frente e com a boca em formato de grão-de-bico disse: «gymnastics». Desatei a rir. Ela responde com um ar sério: «Mãe, é 'ginástica' em inglês!».

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

«Oooohhh, really??!!»

Quando nos mudámos em 2006 para o nosso apartamento em Lisboa, deixámos de ter televisão em casa. Mais tarde, quando a fomos buscar ao armário do escritório, só ligámos a antena com os quatro canais. Por isso, quando íamos a casa dos meus pais, que têm a Zon, passávamos (passamos) muito tempo a ver televisão. Um dos programas onde páro muitas vezes, não sei bem porque razão, é o Antiques Roadshow, um programa inglês sobre velharias e antiguidades, onde especialistas avaliam e comentam peças e móveis, explicando a sua origem e o seu valor. Sempre achei piada à reacção dos donos das peças ao saber o seu valor. «Oooohhh, really??!!»
Chegados a Londres, ficámos umas semanas instalados num hotel antes de nos mudarmos para esta casa. Os canais de televisão eram bastante maus, mas fomos fazendo zapping para nos distrairmos. Não só vimos por diversas vezes o Antiques Roadshow, como descobrimos outros programas do género, que passam constantemente na televisão: o Cash in the Attic e o Bargain Hunt. Comecei a achar que isto dizia alguma coisa sobre os ingleses.
Hoje, depois de almoçar com o T., dei um passeio por Knightsbridge, zona do famoso Harrods, e apanhei o autocarro 9 de regresso a casa. Sentei-me no andar de cima, na terceira fila. Atrás de mim, três ingleses conversavam animadamente sobre a feira que iam visitar: a Winter Olympia Fine Art & Antiques Fair, em Olympia, onde em tempos se fazia a Feira do Livro de Londres. Falavam sobre a cómoda que compraram na feira do ano passado, sobre outras feiras de antiguidades, sobre o preço das peças, sobre os orçamentos, sobre os leilões e sobre as melhores estratégias para conseguirem fazer bons negócios. Não aprendi nada, mas fiquei seriamente tentada a ir à feira. Afinal, não me posso integrar se não conhecer os costumes britânicos, por mais excêntricos que sejam.