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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Mary, Mary, quite contrary


Há sabores que nos confortam quando estamos longe: o bacalhau, o pastel de nata, o croquete, a broa de milho, a bolacha Maria. E por isso fazem parte da minha lista de compras quando visito as lojas portuguesas em Londres.
Noutro dia, encontrei um pacote de bolacha Marie numa loja libanesa e interroguei-me de onde viriam, afinal, estas bolachas, que para mim sempre foram portuguesíssimas. Qual não foi o meu espanto ao descobrir que a origem desta bolacha é precisamente inglesa. Foi inventada em 1874 por um padeiro inglês em honra da grã-duquesa Maria Alexandrovna, da Rússia, que nesse ano se casou com Alfredo, duque de Edimburgo, segundo filho da rainha Vitória.
Curiosamente, a bolacha Maria tornou-se muito popular em países como Portugal, México, Austrália, Índia, África do Sul ou Espanha, mas não vingaria por terras britânicas. Por aqui, o equivalente é a bolacha Rich Tea, mas que não tem metade da graça (nem fica tão bem nos bolos). Não sabem eles o que perdem.
Eu cá continuo a ir comprar bolachas Maria à loja portuguesa. Faço questão que o sabor da minha infância também faça parte do imaginário dos meus filhos.

domingo, 27 de maio de 2012

Leigh-On-Sea















O guia que consultámos prometia uma pérola no condado de Essex, a nordeste da grande Londres. Falava de uma praia agradável, de uma rua animada ao longo da costa, e de uma visita que valia mesmo a pena - apesar de ficar em Essex. Não podíamos ter sido mais bem enganados. A imagem da foto foi a melhor que conseguimos. A arquitectura mais fazia lembrar uma terra de emigrantes com marquises e casas sem gosto nenhum. A pouca areia da praia mais parecia lama. Animação na rua, nem vê-la. Vimos, isso sim, o estereótipo das meninas de Essex: loiras bimbas oxigenadas, com bronze cor de laranja, mamas falsas, saltos de agulha e um sotaque bem parolo. Não ficámos com vontade de voltar, isso não.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Aculturação



















É certo que o tempo em Espinho estava fantástico, mas só uma bifa poderia molhar os pés no mar do Norte em pleno Dezembro.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Visit the Queen

À falta de traje nacional (se alguém souber qual é o nosso, que me diga), lá tivemos de seguir o código de vestimenta para a ocasião: white tie e evening dress. A casaca foi alugada, o vestido foi emprestado (obrigada, G.!), e o casaquinho felpudo foi comprado à última da hora numa loja de caridade, não fossem os ombros descobertos levantar problemas de protocolo. Janotas!

domingo, 23 de outubro de 2011

Walk this way



















Sair de casa para o trânsito da manhã, entrar no metro e desembocar numa das zonas mais movimentadas da cidade pode ser muito pouco relaxante. Alegrou-me por isso descobrir um pequeno refúgio ao início e ao fim do dia. À saída do metro em Kings Cross St. Pancras, atravesso diariamente dois longos quarteirões de antigos armazéns vitorianos pelos caminhos interiores - walks - que ligam às ruas. São como estreitas ruas pedestres que não aparecem nos mapas, de arquitectura cuidada, onde por vezes se encontram entradas para empresas ou pubs, aqui e ali decoradas de árvores e bancos, e onde muito raramente me cruzo com alguém. Sigo pela calçada ouvindo pouco mais do que os meus próprios passos e durante quase dez minutos imagino-me a espectadora de uma cena de Sherlock Holmes. Assim é mais fácil voltar à realidade. Mas só até ao caminho de regresso a casa.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Bloody French

Noutro dia, conheci a mãe de um miúdo inglês da turma do D. no parque. Perguntou-me logo de sobrolho franzido: «Is he with a bad cough?» «No, not really.» «Well, be prepared. You're not French, are you?» «No...» «Those bloody French don't take vaccines and then bring all the diseases to school!» Na altura, achei a afirmação tão exagerada e xenófoba, que fui com o D. brincar para outro lado (não fosse ela pegar-me a tosse).
Nesse mesmo fim de semana, recebemos cá em casa a G., a melhor amiga da L. que agora está noutra escola. No dia seguinte, a mãe da G. disse-me que ela estava com varicela. Duas semanas depois, o D. não só apareceu com um vírus chamado mão-pé-boca, com bolhinhas nestes três sítios, como no dia a seguir estava coberto de borbulhas pelo corpo todo - a varicela da G. tinha pegado.
Apeteceu-me imediatamente encontrar aquela mãe inglesa e dar-lhe uma palmadinha nas costas. «You were right!» A amiguinha francesa da L. é agora conhecida cá em casa como a Bloody French.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Conkers

File:Aesculus hippocastanum fruit.jpgAo passear no parque neste domingo, por pouco não fui atingida pelas inúmeras castanhas-da-índia (conkers) que, anunciando um Outono precoce, caíam das árvores a cada rajada de vento. Seguindo o exemplo, começámos a apanhá-las para a mochila. Algumas mantinham-se nos ouriços e desafiavam o jeito das crianças para as abrir sem se picarem, mas muitas rolavam pela relva já fora da protecção natural. A princípio pensei que toda a gente andava a apanhar os frutos para comer, até que me explicaram que estas castanhas não são comestíveis. Então porquê apanhá-las? Para jogar Conkers, obviamente. 
Conkers é um jogo tradicional que se joga com as castanhas-da-índia presas por um fio. Cada um dos dois jogadores bate à vez com a sua castanha na castanha do jogador adversário e vice-versa até alguma se partir. Aprendi depois que há quem leve isto a sério e participe em campeonatos mundiais. E existe inclusivamente uma ciência para endurecer as castanhas para se tornarem mais resistentes. (Em 1993, Michael Palin dos Monty Python foi desclassificado de uma competição de Conkers por cozer a castanha-da-índia e a ensopar em vinagre). Não admira que algumas escolas tenham proibido o jogo no recreio, tal pode ser a violência das armas de arremesso. 
Como não tenciono partir a cabeça a ninguém, só me resta decidir o que vou fazer com o alguidar de castanhas-da-índia que apanhámos no parque. 

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Sobre as portas do comboios

Há tempos, conheci uma colega de trabalho que me perguntou de onde eu era. «De Portugal.»
«Ah, sim? Estive em Portugal há muitos anos, em casa de uma amiga na Figueira da Foz. Gostei muito. Mas achei uma coisa muito estranha: os comboios viajam de portas abertas, com as crianças mesmo ali ao pé!»
«É possível que os comboios naquela altura tivessem portas manuais e alguém se tivesse esquecido de as fechar, mas hoje em dia são automáticas.», disse eu.
Comentei mais tarde com outro colega como são curiosas as imagens que as pessoas fazem de outros países. Para aquela inglesa, Portugal representa comboios que andam de portas abertas.
Não voltei a pensar nisso até fazer a viagem Londres-Edimburgo num comboio rápido, cujas portas são de facto muito seguras para as crianças. Não são automáticas, só têm puxadores do lado de fora, e só se conseguem abrir puxando uma janela para baixo e pondo a mão de fora do comboio. E conclui que as portas dos comboios dizem muito sobre um povo. Ou talvez não.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Opera Holland Park II e III













Ir à ópera no Holland Park já se tornou uma instituição. E este ano a sorte calhou-me duas vezes: fui com o T. ver Le Nozze di Figaro, e com a G., o S. e a E. ver Rigoletto. Não fossem os bilhetes tão caros e teria ido ver mais óperas durante o Verão, porque vale mesmo a pena.
Mas desta vez, mais do que a ópera, que eu já sabia que ia ser boa, o que mais me surpreendeu foi outra coisa. Antes da ópera começar, e ao ver um cartaz a sugeri-lo, fomos ao bar encomendar as nossas Pimm's e os nossos bagels para comer no intervalo. Pagámos e a menina que nos atendeu disse-nos que nos deveríamos depois dirigir ao balcão do lado esquerdo. E lá fomos ao sítio indicado no fim da primeira parte. Mas para nosso espanto, não havia ninguém a entregar as comidas e bebidas pré-compradas. Num balcão junto à parede, copos e pratos estavam à disposição dos compradores, com um simples bilhete a indicar o nome. E eu não pude deixar de ficar a matutar como isto seria impensável em Portugal. Como nunca se confiaria em deixar as coisas expostas sem ninguém a controlar. Como sempre se desconfiaria que alguém se aproveitasse da comida dos outros. E ainda hoje admiro este poder de confiança dos ingleses na integridade do próximo.

Regent's Park Open Air Theatre















No coração do Regent's Park, existe um anfiteatro ao ar livre, no meio de uma clareira de árvores: o Regent's Park Open Air Theatre. É difícil de acreditar que numa terra onde o tempo é tão instável haja tantas actividades ao ar livre. Mas a verdade é que os londrinos sabem aproveitar bem as oportunidades. E nós soubemos escolher o dia em que fomos lá.
Em cena estava The Beggar's Opera, de John Gay. Chegámos mais cedo, a tempo do churrasco que nos serviu de jantar. Quando a peça começou ainda era dia e depressa fiquei presa pelo enredo. Tudo estava no seu melhor: os cenários camaleónicos, os actores, o ambiente. À medida que a luz foi desaparecendo e a noite arrefecendo, fomo-nos aquecendo debaixo da manta que levei na mala - e fomos cobiçados pelos pouco precavidos vizinhos atingidos pelo frio. Uma cena quase romântica. Só que em vez de estarmos no sofá a ver televisão, estávamos ao ar livre, no meio do parque que tem a melhor vista sobre Londres, numa noite fresquinha, a ver uma versão muito bem feita da Ópera do Mendigo. 

domingo, 14 de agosto de 2011

High Tea


Num certo domingo, a G. levou-me a descobrir os prazeres de um high tea à boa maneira inglesa, no quarto andar dos armazéns Fortnum & Mason, em Piccadilly. Na foto estão apenas as amostras da última parte da refeição, que incluiu ainda madalenas, scones, sanduiches e afins. Estava tudo absolutamente delicioso, e foi com muita pena que não conseguimos esvaziar os pratos.
E foi assim que descobri que há nos hábitos ingleses muito mais para além da simples chávena de chá regada com um pouco de leite (e à qual já estou perfeitamente rendida). Comecemos então. 
elevenses é um pequeno lanche a meio da manhã, com bolo ou biscoitos acompanhados de chá ou café. 
afternoon tea, também conhecido como low tea, por ser tomado numa mesa baixa, é uma refeição ligeira, geralmente tomada entre as 2 e as 5h. O hábito de tomar chá durante a tarde foi introduzido em Inglaterra por D. Catarina de Bragança, princesa de Portugal e rainha consorte da Inglaterra e Escócia através do casamento em 1661 com Carlos II. Por ser católica, D. Catarina não foi muito popular em Inglaterra, mas deixou para a posteridade o hábito de beber chá à tarde, a geleia de laranja (que aqui se chama marmalade), o uso dos talheres e o tabaco. O chá, originário da China, já se bebia em Inglaterra no século XVII para combater problemas como a apoplexia, as cólicas ou a tuberculose, mas só se transformou na instituição que é o five o'clock tea com D. Catarina. Tradicionalmente, o afternoon tea é acompanhado de sanduiches (de pepino, ovo, fiambre e salmão fumado), scones (com natas e doce) e bolos (como o bolo de frutas ou o Victoria sponge). 
high tea, também conhecido como meat tea, é uma refeição ao fim da tarde, consumida entre as 5h e as 7h e desta vez numa mesa alta, como o nome indica. Normalmente inclui carnes frias, ovos ou peixe, provavelmente shepherd's pie, bolos e sanduíches. Em algumas partes de Inglaterra, sobretudo Noroeste, Nordeste e em muitas zonas da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte, a palavra 'tea' serve para designar o jantar.
E com tudo isto, já estou cheia de fome. Um elevenses para mim, por favor.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Russell Howard

Se há coisa que caracteriza os ingleses é o humor. Encontra-se dissimulado por todo o lado, sob a forma de ironia, de gracejos corteses, ou simplesmente como forma de quebrar o gelo ou iniciar uma conversa. É um fenómeno social e cultural e por isso não admira que a stand-up comedy seja tão difundida por estas bandas. No início, é difícil apanhar as piadas, e ainda hoje há algumas que me passam ao lado (quanto mais não seja porque não sei de quem estão a falar). Mas depois de se entrar no espírito é que se percebe como eles são realmente bons (os ingleses com as piadas, quero eu dizer). E para entrar mesmo no espírito, decidimos ir ver o Russell Howard, um dos comediantes mais conhecidos do momento, ao vivo no palco da comédia por excelência: o Hammersmith Apolo. É verdade que muitas foram piadas fáceis, mas que o rapaz tem jeito, tem. Ri-me durante tanto tempo que fiquei quase tão dorida das bochechas quanto no dia do meu casamento a tirar fotografias. E só para terem uma amostra, vejam lá o que ele andou a dizer sobre o emplastro:

domingo, 20 de março de 2011

Red Nose Day

Nas últimas semanas, os narizes vermelhos invadiram o Reino Unido. De repente, todo o país se une para uma causa: angariar dinheiro para a instituição de caridade Comic Relief, que trabalha no Reino Unido e em 25 países em África. O lema é «Do something funny for money», e por todo o lado se vêem iniciativas para conseguir juntar mais alguns trocos. As lojas vendem produtos alusivos, sempre com narizes vermelhos, as empresas organizam actividades, as pessoas pedem patrocínios para uma actividade maluca qualquer, os famosos promovem a causa.
Na empresa onde trabalho, foram várias as formas de juntar dinheiro. Junto à máquina fotocopiadora lá estava um balde à espera de mais uma libra sempre que alguém praguejasse contra a dita máquina. Nas salas de reuniões, mais baldes para receber libras de quem usasse expressões como «commercially viable». Mas a melhor parte veio na sexta-feira, o Red Nose Day. O desafio foi ir trabalhar vestido à 1988, o ano do primeiro Red Nose Day. Quem estivesse vestido a rigor, pagava uma libra. Quem não estivesse, pagava 10. A princípio duvidei que muita gente entrasse na brincadeira. Mas, ainda assim, lá fui trabalhar de calças largueironas, uma t-shirt do T. às riscas devidamente apoiada por um cinto de tachas e correntes, chumaços nos ombros, mangas arregaçadas, brincos rosa choc em forma de estrela, sombra azul bem carregada nos olhos, e o cabelo apanhado ao lado com uma flor cor-de-rosa da L. Para meu espanto, quase ninguém olhou para mim no metro, como se aquela pudesse perfeitamente ser a minha maneira de vestir. Quando cheguei ao trabalho, apercebi-me de como a moda nos anos 80 já era tão internacional e ultrapassava todas as fronteiras. Foi uma espécie de flashback muito divertido. E o suficiente para umas boas gargalhadas, ou, melhor dizendo, para um perfeito comic relief.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sale

É certo que não percebo muito de economia nem de técnicas de venda, mas será que a crise está tão má que obriga as lojas a fazer saldos todo o ano? Mesmo antes do Natal? Primeiro foram os saldos de fim de Verão. Depois os saldos de meio da estação. E agora os saldos pré-natalícios. Quase todas as montras têm um cartaz a anunciar descontos, mesmo a calhar para os compradores de última hora. (E eu que já fiz as compras todas...) Nem quero pensar como será depois do Boxing Day!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Jacket potatoe














Parece mentira, mas só hoje é que provei as famosas jacket potatoes. A versão que conhecia, só com manteiga ou com um molho no meio, nunca me despertou grande interesse. Mas hoje a G. convenceu-me a experimentar e gostei muito. É como se fosse uma batata a murro, assada no forno com a pele, bastante grande, só que depois é aberta com um golpe e recheada com o que quisermos: queijo, cogumelos, fiambre, etc. Escolhi recheio de feijão, frango e espinafres - e estava óptima. Obrigada pelo almocinho, G.!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Vintage

Que os ingleses sofrem de uma obsessão pelas antiguidades, já o sabia – e cheguei a falar aqui disso. Mas descobri recentemente uma outra mania inglesa a que aderi sem grande resistência: o vintage. Por todo o lado se vê referências a essa recuperação do estilo das décadas de 20 a 60 do século passado (e que às vezes chega às décadas de 70 e 80). E posso dizer-vos que se podem encontrar coisas fabulosas, como uma mala que comprei na Pembridge Road por umas módicas 10 libras.
Há tempos, fomos ao Midcentury Modern, uma feira de venda de móveis vintage. Estavam lá representadas lojas de todo o país que vendem mobiliário antigo recuperado e material novo ao estilo vintage. Fiquei com vontade de dar todos os meus móveis para a caridade e redecorar a minha casa de cima a baixo. Que coisas fantásticas lá havia (e caras também…)! Ainda hoje não perdoo o T. por não ter comprado um bengaleiro lindo de morrer, de 1969, que ficava tão bem na nossa entrada. Ele ficou enamorado por estes cacifos, trazidos de um qualquer colégio. Ainda havemos de os comprar.
Já marquei na minha agenda a nova feira: 20 de Março de 2011. Não estou para ninguém nesse dia.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Operação (v)ariz vermelha

Sofro de varizes. Não sofro muito, porque não me doem, mas incomodam-me ligeiramente. Há dias fui ver um cirurgião vascular a um hospital público, indicado pela médica de família. Contei-lhe a história da vida das minhas varizes, incluíndo das que tive de tirar há uns anos, e ele pediu para observar os meus membros inferiores. Fez-me um exame rápido e deu-me a notícia de que tenho de ser operada às duas pernas. Só que, infelizmente, o serviço nacional de saúde inglês deixou de comparticipar as operações às varizes há umas 3 ou 4 semanas (graças ao novo governo). Portanto, vivo agora com as mesmas varizes, mas muito mais consciente da sua presença, sabendo que vou ter de me desfazer delas mais tarde ou mais cedo - embora sem saber muito bem como nem quando. E se eu me afeiçoar a elas entretanto?

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Sally Lunn's bun














Como turista dedicada que sou, descobri rapidamente o doce típico de Bath: o Bath Bun, criado por uma tal de Sally Lunn. Comprei logo dois e apressei-me a ir buscar uma faca para partir uma fatia. «Mmm... Nada de especial. Parece brioche. A nossa regueifa doce é bem melhor.», pensei. Virei a caixa e li qualquer coisa parecida com isto: «Sally Lunn (ou melhor, Solange Luyon), uma jovem francesa refugiada, chegou a Bath há mais de 300 anos e encontrou trabalho junto de um pasteleiro...» Foi então que pensei: «Dizem eles que as tentativas de copiar o Bath Bun têm sido muitas? Mas será que eles não percebem que quem copiou (o brioche) foram eles?» Encolhi os ombros e continuei a comer.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Calor de Verão

Quando a Primavera deu os primeiros ares da sua graça e o tempo começou a melhorar, não faltou quem começasse logo a tirar cá para fora as camisolas de alças, os mini-calções e as sandálias. Andei intrigada a pensar como se vestiriam aquelas pessoas quando começasse realmente o calor. Este fim-de-semana descobri. Pelas ruas, e sobretudo nos parques, homens e mulheres andam de roupas ainda mais reduzidas do que é habitual, ou então andam praticamente sem roupa. Andam despidos enquanto passeiam a pé ou de bicicleta, e qualquer relvado serve para se deitarem ao sol, a tostar a pele, enquanto nós procuramos a sombra mais próxima. Tentei arranjar uma explicação para sermos praticamente os únicos que trazíamos ontem roupa a proteger os ombros, e lembrei-me do ditado popular: «o que protege do frio também protege do calor».
Ontem à tarde, em Regent's Park

terça-feira, 27 de abril de 2010

Charity shops

À volta da minha casa, num espaço de dois quarteirões, há, pelo menos, umas cinco lojas de caridade. Estão por todo o lado, um pouco como as lojas de chineses em Portugal (e que aqui não se encontram). Custa a crer que nunca nos tenhamos lembrado disto. As lojas aceitam as dádivas de particulares (que já estão fartos de ter aqueles trastes lá em casa) e empresas (que não conseguem vender aqueles artigos nem por nada) e vendem de tudo e mais alguma coisa para apoiar uma causa. Roupas usadas, sapatos, malas, brinquedos, louças, livros, cassetes de vídeo, discos de vinil, máquinas de escrever, móveis, bugigangas e tudo o mais que alguém se tenha lembrado que afinal já não precisava lá em casa. Pelo menos será útil a outro alguém. E é uma óptima forma de comprar coisas em bom estado por um preço muito económico. Confesso que sinto o impulso de entrar frequentemente nestas lojas. Há novidades todos os dias e nunca se sabe se se irá encontrar uma pechincha. Ou descobrir que, afinal, alguém não gostou do presente que lhe demos.
Esta semana comprei numa destas lojas umas canecas muito catitas. Cheguei a casa, abri o armário e tirei de lá outras que ninguém usava. Pu-las num saco e no dia seguinte fui entregá-las à mesma loja. Passei lá hoje e fiquei contente por ver que alguém gostou delas e as comprou. Devia era ter avisado os compradores que as canecas saem do microondas a escaldar.