terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Joseph K

Continuo a não ir ao teatro tantas vezes quanto gostaria. Felizmente, surgem de vez em quando oportunidades que não deixo escapar. Como a peça Joseph K, baseada n’O Processo, de Franz Kafka, que fomos ver ao Gate Theatre, em Notting Hill. O teatro é mínimo, com bancos corridos em vez de cadeiras, e um ambiente alternativo muito engraçado. E a peça valeu mesmo a pena. Os actores eram tão bons, que cheguei a pensar que havia duas actrizes em vez de uma só. E a adaptação ao palco e à actualidade foi muito bem feita, sem nunca perder de vista o estilo kafkiano. Quatro estrelas e meia, quase cinco.

Vintage

Que os ingleses sofrem de uma obsessão pelas antiguidades, já o sabia – e cheguei a falar aqui disso. Mas descobri recentemente uma outra mania inglesa a que aderi sem grande resistência: o vintage. Por todo o lado se vê referências a essa recuperação do estilo das décadas de 20 a 60 do século passado (e que às vezes chega às décadas de 70 e 80). E posso dizer-vos que se podem encontrar coisas fabulosas, como uma mala que comprei na Pembridge Road por umas módicas 10 libras.
Há tempos, fomos ao Midcentury Modern, uma feira de venda de móveis vintage. Estavam lá representadas lojas de todo o país que vendem mobiliário antigo recuperado e material novo ao estilo vintage. Fiquei com vontade de dar todos os meus móveis para a caridade e redecorar a minha casa de cima a baixo. Que coisas fantásticas lá havia (e caras também…)! Ainda hoje não perdoo o T. por não ter comprado um bengaleiro lindo de morrer, de 1969, que ficava tão bem na nossa entrada. Ele ficou enamorado por estes cacifos, trazidos de um qualquer colégio. Ainda havemos de os comprar.
Já marquei na minha agenda a nova feira: 20 de Março de 2011. Não estou para ninguém nesse dia.

sábado, 11 de dezembro de 2010

British Museum

 Ainda hoje me custa acreditar como pude deixar passar tanto tempo sem ir ao British Museum. E tantas vezes estive lá tão perto. Só o edifício já merece uma visita, já para não falar no recheio. A dimensão é tão grande que é impossível ver tudo de uma só vez. É impressionante o legado mundial que ficou na mão do Império Britânico e que se encontra reunido naquele museu. Fiquei-me pela ala do Egipto e Assíria, com breve passagem pelas Américas. Felizmente, os museus são grátis em Londres, por isso conto lá voltar em breve, da próxima vez com mais tempo (mas sem a O.).

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Vieira da Silva

The Corridor, 1950
(ou, como veio a ser conhecido mais tarde, The Grey Room)















«Ma-gni-fi-cent! Mag-ni-fi-cent!» Foi assim que a senhora ao meu lado se expressou ao olhar para este quadro da Maria Helena Vieira da Silva, também na Tate Modern. E é mesmo, não é?

Julião Sarmento na Tate

Depois de nos sentarmos a relaxar as pernas da subida ao topo da St. Paul's Cathedral, a O. e eu atravessámos a Millenium Bridge e fomos visitar a Tate Modern. Apesar de lá ter estado há pouco tempo com o T. a ver a exposição de Gauguin, ainda consegui descobrir algumas novidades, como uma sala inteiramente dedicada a Julião Sarmento na ala dedicada ao Surrealismo.



Mehr Licht, 1985

St. Paul's Cathedral

Hoje, depois de passar com a O. pelos túmulos de Nelson e de Wellington, ver os inúmeros memoriais (entre eles a Winston Churchill), percorrer o corredor em direcção ao altar onde casaram Carlos e Diana, subi os 528 degraus que levam à galeria dourada na cúpula da St. Paul's Cathedral. E vi Londres lá de cima, a 85 metros do solo. Assim:

Douro Place














Algures no meu bairro há um Douro Place. Pequenino, mas arranjadinho.

Paula Rego














Nursery Rhymes, de Paula Rego, à venda no Victoria & Albert Museum.

Super Bock














Um jantar no Nando's, antes do cinema, acompanhados de vinho português e de uma Super Bock.

José Saramago














Uma colecção muito completa de títulos em inglês, na livraria John Sandoe, em Chelsea.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Dear Santa Claus














A carta para o Pai Natal seguiu hoje pelo correio para o Polo Norte. Dizia qualquer coisa como: «Dear Santa Claus, can you please leave my presents in London? I would like to have a Peppa Pig DVD in Portuguese (que já me fartei de procurar e não há maneira de encontrar) and a Dora Christmas DVD in Portuguese (que a madrinha vai dar). I will leave some biscuits and a glass of milk for you at my Grandma's chimney. Love, L.»
Mal pusemos a carta no correio, lembrou-se: «Mamã, também preciso de uma campainha para a minha bicicleta! (que a mamã já comprou) Tenho de escrever outra carta ao Pai Natal.»

domingo, 5 de dezembro de 2010

The National vs. Arcade Fire II



Temi que o concerto de Arcade Fire me viesse a desapontar depois de tão boa experiência. Pelo contrário. É verdade que o pavilhão era muito maior e estávamos sentados numa das laterais. Mas a energia em palco era de tal forma grande que depressa contagiou toda a gente. O concerto acabou em grande ao som de Wake Up, que o público foi cantando em coro pelo caminho até ao metro. Arrepiante.
Mal posso esperar pelo próximo concerto.

The National vs. Arcade Fire I


Num pequeno gesto de loucura, comprei bilhetes para dois concertos com um dia de intervalo. Na segunda-feira, The National, na O2 Academy Brixton; na quarta, Arcade Fire, na O2 Arena, em Greenwich.
O concerto de The National foi inesquecível. Em pé, na segunda fila, numa sala pequena, tínhamos os músicos quase só para nós. E o final, com Vanderlyle Crybaby Geeks cantado sem microfone e acompanhado por todo o público, foi absolutamente mágico.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Job search

A grande culpada da minha ausência deste blogue (tirando alguns eventos pelo meio) é a procura de emprego, que continua intensa. Os poucos bocadinhos que tenho livres passo-os a pesquisar sites de emprego, a escrever cartas de candidatura, a enviar currículos. Até agora, valeram-me apenas uma entrevista, a que fui na terça-feira passada. Foi duro manter os saltos altos intactos no meio da neve, mas consegui pelo menos evitar uma queda humilhante. A entrevista, bastante fluida, correu muito bem, e por momentos pensei que iria ter de tomar uma decisão muito difícil: ter tempo livre para as crianças mas continuar sem trabalhar ou fazer uma coisa de que gosto muito mas que implica sair de casa às 8 da manhã, chegar às 7 da noite, pouco brincar com as crianças, e ganhar menos do que a nanny que toma conta dos miúdos. No dia seguinte, saiu-me o peso de cima. Recebi um telefonema dizendo que afinal a empresa decidiu que não iria contratar ninguém para já. Caiu-me em cima como um balde de água fria, quase tão fria quanto os meus pés ao chegar a casa, mas adiou a decisão difícil até à próxima entrevista.

Snowman














O primeiro da época, terminado mesmo antes do cair da noite.